terça-feira, 30 de junho de 2009

Índios de Rondônia viajam à Europa para conhecer acervo recolhido em suas aldeias


Por Vanessa Farias

em 29/05/2009

Publicado no Diário da Amazônia

Porto Velho - RO

30/06/2009


Sete índios dos povos Aruá, Jabutí, Kanoé, Makurap e Tuparí, que vivem nas terras indígenas de Rio Branco e Guaporé, em Rondônia, embarcam neste sábado para a Suíça, onde terão a oportunidade de mostrar a cultura de cada etnia e trocar conhecimentos com pesquisadores suíços. A viagem no valor de aproximadamente R$ 70 mil está sendo financiada pelos museus etnográficos de Basiléia, na Suíça, de Viena, na Áustria; de Berlim, na Alemanha e do museu de Leiden, na Holanda. O intercâmbio é resultado de um projeto de recuperação de costumes indígenas realizado a longo prazo das duas terras indígenas. “Os museus possuem arquivos do ano de 1934, quando as pesquisas com esses povos começaram”, conta a fotógrafa e jornalista Gleice Mere que faz a intermediação há dois anos entre os índios e os pesquisadores suíços.Anísio Aruá, José Anderê Makurap, Marlene Tupari, Dalton Tupari, Analícia Makurap, José Augusto Kanoé e Armando Jabuti estão ansiosos para conhecer os objetos e registros fotográficos de seus antecedentes que estão guardados nos museus. “Além de querer conhecer os parentes dos homens que nos ajudaram no passado fazendo esses registros e levando a nossa cultura para outro país, nós queremos ver as fotos dos nossos pais e avós, identificar o nosso passado”, diz Marlene Tupari.O indígena José Anderê anseia por uma única expectativa. “Eu nem sei ler nem escrever, nem sei quantos anos de idade eu tenho, mas única coisa que quero é poder ver meus pais que eu não conheci. Tomara que tenha fotos deles por lá”, dispara. A filha, Analícia, estudou até a 4ª série do Ensino Fundamental e acredita que a viagem servirá para ampliar seus conhecimentos. “Nós vamos trocar experiências com pessoas que vivem em um país de primeiro mundo, e isso pode ser muito bom para o nosso conhecimento de vida”, declara.Cestos de olho de palha usados na aldeia para “guardar” as galinhas que vão chocar os ovos, roupas tradicionais, arcos e flechas são a contrapartida dos indígenas para os museus. “Eles precisam levar novos arquivos para o museu para enriquecer o material que já existe lá”, explica Gleice Mere. RegistrosEm 1934, o pesquisador suíço Emil-Heinrich Snethlage chegou à região do Guaporé, onde morou por seis meses coletando materiais para os museus, conhecendo os costumes dos povos e registrando a história das tribos da área. Em uma segunda viagem à região, Emil escreveu um diário de 1042 páginas que nunca foi publicado, gravou um filme mudo e sons de cânticos indígenas que são reconhecidos pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade. “Essa viagem vai marcar a gente, com o que vamos poder ver de diferente no trabalho que nossos avós e pais faziam, as fotos, as músicas. Tudo vai ser importante para nós”, enfatizou José Augusto Kanoé. Para aqueles que nunca saíram do Estado, um medo que não é maior do que a vontade de viajar é revelado. “Eu nunca viajei de avião. Dá um medo de imaginar, mas eu vou conseguir”, diz Marlene Tupari.Além de visitas aos cinco museus patrocinadores, está previsto também o encontro com as famílias dos pesquisadores que passaram pela região de Rio Branco e Guaporé, oficinas com crianças locais, apresentações de filmes sobre a Amazônia, dança e pintura indígena e o reconhecimento do acervo de objetos guardados nos museus. A chegada dos indígenas na Suíça está prevista para este domingo e o retorno da viagem será feito em 20 dias.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Arqueologia e povos indígenas: a construção de um diálogo sobre paisagem e manejo ambiental.


Quando falamos em sítios arqueológicos logo nos vêm a mente àqueles lugares cheios de cerâmicas quebradas, lascas de pedras, restos de fogueiras, etc.... Que estão lá sob um abrigo de rocha no meio de um mato, ou numa estrutura semisubterrânea na propriedade de algum morador da Serra, ou numa lavoura qualquer, onde um arado trouxe à tona vários objetos de ocupações antigas daquele lugar.
E lá vamos nós, arqueólogos, recolher, catalogar, limpar, guardar os caquinhos como se fossem um tesouro.
Mas, e o lugar onde estavam os objetos? Como recolher, lavar e guardar? Não há como e também, poucas vezes pensamos muito nisso, que esse lugar pode ter sido um objeto da cultura material de uma sociedade que hoje não está mais ali. E esse mesmo lugar, pode hoje ser parte da cultura material de outra sociedade – a lavoura do colono, por exemplo, a casa construída sob um antigo cemitério indígena....
Então as pessoas fabricam “lugares” como fabricam potes de cerâmica, ou facas de pedra, ou potes de plástico e enxadas? Sim, há uma finalidade social para a criação de uma roça e de uma lavoura, assim como a escolha do lugar onde se constituirá a casa e se fará um jardim.
São “objetos” humanos, nós construímos isso, uma paisagem passa a ser uma paisagem quando lhe designamos tal categoria, então esse lugar passa a ter significado para nós, humanos.
E isso se dá com todas as sociedades humanas, é o que chamamos patrimônio na linguagem ocidental e assim acrescentamos nomes, valores e designações sociais à natureza que passa a ser uma paisagem, um lugar...
O trabalho etnográfico junto aos Guarani tem se apresentado muito rico nesse sentido, já que a construção de “lugares”, de terra de mbyá – mbya retã – é recorrente entre nossos diálogos e pude perceber como a mão humana é freqüente na expansão de espécies de flora e fauna dentro da mata atlântica.
Os índios estão recuperando áreas, que se encontram esgotadas por causa do cultivo do eucalipto, com o replantio de nativas. E essas espécies são trazidas, muitas vezes, de longe para o território. Visitas de parentes, que vêm de outros estados e até de outros países, sempre são formas de que algumas espécies sejam remanejadas. As trocas de sementes de milho, mudas de fumo e outras espécies cultiváveis são recorrentes, mas há também a busca de espécies da flora nativa da mata atlântica, que são buscadas nos lugares onde se encontram pra repovoar os lugares de onde foram retiradas.
Essas práticas podem ser vistas como tradicionais entre esses povos, e nossa imaginação nos leva a pensar que no passado tais práticas também devam ter sido corriqueiras. Portanto os ecossistemas diversificados devem muito a ação antrópica, já que o homem faz parte da natureza, assim como os demais animais.
Essa necessidade de ter um lugar ideal, escolhido pelo grupo social, fica evidente quando se vai procurar entender a forma de deslocamentos exercidas pelos Guarani. Porque eles não ficam nas reservas estipuladas pelo governo ou estão devidamente inseridos nas povoações das cidades ou nas povoações coloniais no interior, já que são agricultores? E quais os critérios que buscam para as demarcações de terras atualmente?
Há o que eles chamam “lugar para criar família”, que é uma terra cultivável, com mata e águas limpas. Por isso, quando conseguem um “lugar” vão logo transformando a paisagem em mbyá retã, plantando espécies que são importantes para eles e fazendo clareiras para roças com seus milhos coloridos.
É claro que os indígenas de hoje são modernos. Não podemos esperar que tenham se mantido intactos, iguais aos seus antepassados, mas a lógica da tekoá, do lugar pra roça, da beleza da mata para a saúde do Guarani, se mantém, mesmo que somente no imaginário social, e estes sempre tentam recuperar esse lugar ideal.
Claro que essa terra sonhada, nem sempre condiz com as áreas que ocupam, porque as terras que são designadas para índios atualmente são áreas íngremes, pedregosas, que não servem para o cultivo e necessitam recuperação ambiental, em muitos casos.
Há muitas situações em que encontramos vestígios arqueológicos nas proximidades das aldeias, mas estes não são os principais fatores da escolha atual do lugar, mas é claro que sua identificação nos faz pensar no que é e no que era a definição de ”lugar” ideal para as sociedades atuais e antigas.
E como lidar com essa noção de patrimônio indígena, já que a nossa muitas vezes diverge da deles, e aí temos um impasse, principalmente quando se trata de áreas de conservação ambiental.
Os Guarani associam a boa saúde da terra à sua própria saúde. A utilização de várias espécies vegetais como remédios e como ervas para os rituais religiosos é recorrente e necessita da mata, porque nem todas as espécies são cultiváveis perto da casa, por diferentes motivos: pode ser tabu ou porque realmente não se dão bem no ambiente do terreno aberto do pátio, ou junto das roças. Então o território de domínio envolve a mata e seu manejo é necessário e auto - sustentável, porque não há interesse dos índios na sua destruição, muito pelo contrario.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Senado Nacional... só explodindo!!!


DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Pelo menos 250 nomeações para cargos de confiança no Senado foram feitas por meio de atos secretos, revela levantamento da Folha na base de dados divulgada ontem pela comissão de servidores da Casa que investiga o caso.Foi a principal serventia dos boletins não publicados, que também serviram em menor escala para esconder decisões administrativas, aumento de benefícios, exonerações e mudanças de cargos.Em 30 de junho de 2006, por meio de um ato secreto, Marcelo Zoghbi, filho do diretor afastado de Recursos Humanos do Senado, João Carlos Zoghbi, foi remanejado para o gabinete do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), onde ocupou o cargo de assessor técnico.Pai e filho foram indiciados pela Polícia Legislativa por usarem uma empresa em nome de laranjas para intermediar empréstimos consignados a servidores do Senado.Tão logo foi procurado pela Folha, Demóstenes se dirigiu ao plenário do Senado para se explicar. Disse que nomeou Marcelo a pedido do então senador Edison Lobão (PMDB-MA), de quem é amigo.Questionado se o favor não contradiz o seu discurso crítico, respondeu: "Seria, se ele fosse um funcionário-fantasma, mas ele trabalhava", disse.A mulher do ex-diretor de Recursos Humanos, Denise Zoghbi, e outros dois filhos, João Carlos Zoghbi Júnior e Luis Fernando Zoghbi, também ganharam cargos de confiança por meio dos atos.De 2005 a 2007, período em que o Senado foi presidido por Renan Calheiros (PMDB-AL), foram nomeadas 98 pessoas de forma sigilosa. Políticos aliados dele estão entres os nomeados no período, entre eles a presidente da Câmara de Murici (AL), Marlene Galdino dos Santos e Santos. Renan Calheiros Filho é o prefeito da cidade.Em 2008, entre as nomeações secretas está a de Rafael de Almeida Neves Júnior, filho do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR).Cinco anos antes, por meio dos atos, foram nomeadas quatro pessoas no gabinete do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS). No mesmo dia, três funcionários de Zambiasi foram nomeados para a quarta-secretaria. Via assessoria, o senador informou que a responsabilidade pela não publicação dos atos é da administração do Senado.A nora do senador Efraim Morais (DEM-PB) foi exonerada por meio de ato secreto do cargo de assistente parlamentar da primeira-secretaria do Senado em 14 de janeiro passado. Até fevereiro, Efraim era o primeiro-secretário da Casa.Por determinação do Supremo, parlamentares tiveram que demitir parentes até o fim de outubro passado. Flávia Carolina Braz Rocha se casou com o deputado Efraim Filho (DEM-PB) no dia 5 de dezembro de 2008. Com isso, ela permaneceu no cargo no Senado irregularmente por 39 dias.Conforme o gabinete do senador, a exoneração deveria ter saído em dezembro, mas, por um erro, o documento não foi encaminhado para a publicação no boletim administrativo. O gabinete informou desconhecer que o ato seja secreto.Os atos também prestaram-se a reajustar pelo menos três vezes o valor do auxílio-alimentação pago aos servidores. Serviram para compor comissões que estudaram mudanças nas regras das licitações do Senado, a realização de sindicâncias e emendas ao Orçamento do governo federal.

MEUS LIVROS!!! Da bagunça... a estante... da estante...a tese....


Eis que para escrever é preciso organização. Nem sempre a organização dos outros coincide com a minha... então, é preciso organizar do meu jeito... mesmo que pareça desorganizado.

Os livros, os xerox, os documentos, as fichas... preciso de tudo num mesmo lugar... e hoje arranjei este lugar.

Apossei-me de uma estante. A menor... mas agora minha. Alí estão eles agora... todos ao alcance da minha mão.. todos enfileirados.... me observando e eu a observá-los.... os livros... a papelada... minhas traças....

Com meus marcadores amarelos... franjados com 'amarelinhos' saltando de suas páginas.. minhas anotações...é assim que consigo trabalhar... sempre direto no livro... mesmo que eu escreva fichamentos e faça anotações em cadernos... sempre recorro direto ao livro.... preciso deles por perto... junto de mim... no meu espaço... me dão segurança...adoro manuseá-los.. passar a mão por suas páginas... as vezes já surradas de tanto vai e vem... as vezes com manchas de café... das madrugadas em que me fizeram companhia...

Meus companheiros inseparáveis e amados...os livros...

Colorindo a estante, com suas multiplas capas...suas inscrições...

E assim vou colorindo minha imaginação... minha mente... e dando vazão ao discurso... ao meu discurso... as minhas interpretações... aos meus problemas.... vai surgindo um texto...dois.. outros livros... misturando coisas, idéias... fazendo cruzamentos...entre tantas idéias misturadas...

As palavras vão surgindo...vão compondo páginas... e vão se transformando em algo.. outro texto... outros livros... outras palavras impressas no papel...

Vai surgindo a tese...aos pouquinhos.... em pedaços... fatias de leituras... de madrugadas com café... de tardes ensolaradas em que o sol lá fora só é visto pela janela... de manhãs dormentes em que o calor da cama é trocado pelo assento da cadeira em frente ao computador...

Das festas que não fui... dos vinhos que não bebi... da música que não dancei...vai surgir um texto... palavras impressas....análises feitas... imagens construídas... dando forma a outro livro....com páginas brancas e pretas...

E me sinto feliz ao ver essa construção se erguendo no papel...

Um dia a tese vai fazer companhia aos outros livros daquela estante preta...

terça-feira, 23 de junho de 2009

Artigo da Veja, de 14 de Maio de 1986.



EMPREGUISMO:

Debaixo do Pano

Trem da Alegria pega filha de Sarney

Até semana passada sabia-se que a filha do Presidente José Sarney, Roseana Sarney Murad, era uma assessora do Senado Federal, contratada temporariamente, com prazo delimitado para deixar a função. Na última sexta-feira, porém, descobriu-se que Roseana, na verdade, pertence ao quadro dos funcionários permanentes da Casa, mesmo sem ter prestado nenhum concurso público, como exige a lei. Seu nome figura em um almanaque de funcionários do Senado, publicado apenas recentemente, ao lado de outros 59 'assessores técnicos', efetivados como empregados da Casa, desde janeiro do ano passado, com salários em média, de 25 000 cruzados. Na cidade de Praia, no Cabo Verde, onde acompanhava o presidente Sarney (veja reportagem à pag. 28), o marido de Roseana e secretário particular da Presidência, Jorge Murad, reagiu com espanto à denúncia, publicada pelo jornal Folha de São Paulo. "Nem mesmo a Roseana sabe disso", afirmou Murad.


O "trem da alegria" no qual a filha de Sarney foi embarcada, passou pelo Senado no dia 14 de janeiro de 1985. Às vésperas da reunião do Colégio Eleitoral, que escolheu Tancredo Neves para a Presidência da República, o então presidente do Senado, Moacyr Dalla, do PDS do Espírito Santo, resolveu agradar vários dos seus colegas e criou, sem concurso, 60 novas vagas, preenchidas muito mais por critérios genealógicos do que curriculares. Além de Rosena, que servia como assessora de Sarney desde 1980, foram efetivados Antônio Candido Lima Furlan, filho do senador Amaral Furlan, do PDS paulista; Magna Lúcia Gadelha, mulher do senador Marcondes Gadelha, do PFL da Paraíba; Murilo Canellas, irmão do senador Benedito Canellas, do PFL de Mato Grosso; Maria do Céu Jurema Garrido, filha do senador Aderbal Jurema, do PFL de Pernambuco; Neila Yara Michiles, filha da senadora Eunice Michiles, do PFL amazonense; e João Agripino Vasconcelos Maia, primo de José Agripino Maia, governador do Rio Grande do Norte; entre outros.


O mais interessante da história é que o ato de nomeação desses funcionários, ao contrário do que determina a legislação, não foi divulgado na época em nenhuma publicação oficial do Senado. O fato só veio a público este ano, com a publicação do almanaque de funcionários da Casa. "Tudo foi feito dentro da legalidade", afirma o senador Raimundo Parente, do PDS do Amazonas, cujo filho, Celso Parente, também entrou no Senado num trem da alegria, manobrado por Jarbas Passarinho, quando presidia a Casa.


"Essas nomeações são uma tradição do Senado", complementa Milton Cabral, senador pelo PFL paraibano. A tradição é simples: o senador chega à Casa com oito anos de mandato e filhos, noras ou genros, com uma vida pela frente. Emprega alguns deles como assessores e explica que se não pode confiar nos parentes não poderá confiar em mais ninguém. O tempo passa, e com a proximidade do fim do mandato, o Senado efetiva os interinos, tornando vitalícia as nomeações. Assim, se o senador em oito anos não consegue marcar os anais, seus parentes ficam na Casa marcando a folha de pagamento. Tramita atualmente entre os parlamentares, com aval da Comissão de Constituição e Justiça, uma resolução que, se aprovada, efetivará pelo menos mais 200 secretários particulares sem concurso. Envolvido nesse novo trem da alegria que se monta no Senado, o seu presidente, José Fragelli, acabou arrumando uma desculpa de última hora quando perguntado sobre o 'trem' do ano passado. "Eu não poderia brigar com a filha do Presidente da República", explica Fragelli. No dia em que Roseana foi nomeada, porém, seu pai era apenas o candidato a vice.

Só pra registrar que a 'putaria' é antiga no Congresso Nacional...


Sobre a reportagem acima transcrita....
Incrível a cara de pau de Sua Excelência...
Desde de áureos tempos já empregava os parentes na 'maciota'... por baixo dos panos... se fazendo de desentendido..
Que falta de vergonha... e o pior...é que continua na política...continua angariando votos do povo brasileiro!!!????

A pergunta é: até quando?
Povo... até quando teremos essa corja no poder do nosso país... fazendo o que bem entende...enchendo os bolsos de dinheiro - diga-se de passagem do nosso dinheiro.. aquele mesmo que falta nas escolas públicas, nos hospitais e postos de sáude....

Até quando vamos choramingar a miséria neste país, cheio de desenpregados, enquanto os afortunados parentes dessa canalharia toda usufrui de cargos parlamentares...bem remunerados... com regalias e privilégios....

Até quando vamos ter gente sem teto... homens e mulheres lutando pela terra que lhes é de direito, para plantar seu sustento...crianças e velhos abandonados e sem atendimento, enquanto essa gente toda esbanja nosso dinheiro e nos trata como bobos?

Até quando...?


segunda-feira, 22 de junho de 2009

Caminhos e encantos no ensino de história


Estava eu a ler um texto da Maria Stephanou, sobre os currículos de história, onde a autora ressalta as dificuldades de se mudar a forma como se ensina a história nas escolas de base.

As interpretações feitas e os recortes sobre os diferentes momentos da história humana são sempre abordagens simplistas nos livros didáticos, e assim a história chega aos estudantes - crianças e adolescentes - como uma caixa de cusriosidades ou uma miscelânea de nomes e datas para serem constantemente decorados e não compreendidos.

Mudanças ocorreram na maneira de organizar os tais livros didáticos, a hoje em dia até temos bons livros no mercado... mas a forma simplista de se apresentar a história aos estudantes permanece... mesmo com uma cara mais modernizada.

Temos hoje uma avalanche de informações chegando aos estudantes, pois com a internet o acesso a textos, imagens, noticias, e tudo o mais acaba por ser quase generalizado... o problema é que o senso interpretativo desses jovens anda muito baixo... eles lêem, mas não entendem o que lêem... não conseguem tecer um senso crítico a respeito de tantas informações.. e nem sequer entendem o que elas trazem por traz das simples palavras e imagens reproduzidas.

Essa enxurrada de imagens fortes, violentas, sanguinolentas até... faz com que muitas coisas sejam banalizadas...então, uma guerra, o genocídio de um povo, a violência nas cidades, acabam se tornando apenas imagens...como num vídeo game... não se encaixam no real.... apenas num virtual...

E aí, na escola, vemos que as aulas de história - salvo muitas e honrosas excessões - seguem naquele ritmo segmentado... onde a cronologia linear é mantida como a única via para se ensinar e aprender história.... algo distante, e desconectada do mundo em que vivem os estudantes...

A história fica no passado... e lá se congela....

Ao contrário, ela está no presente... interpretamos o mundo através do presente... deveriamos pensar a história do passado com nossos olhos do presente... conectando-nos ao mundo e ao vivido como formas para nos inserirmos nesse mundo vivido... aprendendo a interpretar esse mundo e as ações vividas... conhecendo os discursos, os saberes, construções... tudo que faz a história ser uma disciplina que estuda o passado para compreensão do presente.

Como diria Stephanou: "... seria proveitoso se o estudo da história viesse possibilitar a introdução de outras formas de raciocínio, em especial, uma outra concepção de tempo e a idéia de movimento."

Esse talvez seja o caminho... pensar que história é sinônimo de movimento... ela nunca está parada... mas sim em constante movimento, que varia em cada fase do mundo vivido... do presente de cada geração... das necessidades de cada lugar e cada povo...para com a história construir uma memória... uma identidade... uma maneira de explicar os atos humanos e suas rupturas.

domingo, 21 de junho de 2009

Campanha Troque 01 parlamentar por 344 professores


Prezado amigo! Sou professor de Física, de ensino médio de uma escola pública em uma cidade do interior da Bahia e gostaria de expor a você o meu salário bruto mensal: R$650,00
Eu fico com vergonha até de dizer, mas meu salário é R$650,00. Isso mesmo! E olha que eu ganho mais que outros colegas de profissão que não possuem um curso superior como eu e recebem minguados R$440,00. Será que alguém acha que, com um salário assim, a rede de ensino poderá contar com professores competentes e dispostos a ensinar?
Não querendo generalizar, pois ainda existem bons professores lecionando, atualmente a regra é essa: O professor faz de conta que dá aula, o aluno faz de conta que aprende, o Governo faz de conta que paga e a escola aprova o aluno mal preparado. Incrível, mas é a pura verdade! Sinceramente, eu leciono porque sou um idealista e atualmente vejo a profissão como um trabalho social. Mas nessa semana, o soco que tomei na boca do estomago do meu idealismo foi duro! Descobri que um parlamentar brasileiro custa para o país R$10,2 milhões por ano. São os parlamentares mais caros do mundo. O minuto trabalhado aqui custa ao contribuinte R$11.545.
Na Itália, são gastos com parlamentares R$3,9 milhões, na França, pouco mais de R$2,8 milhões, na Espanha, cada parlamentar custa por ano R$850 mil e na vizinha, Argentina, R$1,3 milhões.
Trocando em miúdos, um parlamentar custa ao país, por baixo, 688 professores com curso superior !Diante dos fatos, gostaria muito, amigo, que você divulgasse minha campanha, na qual o lema será: "TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES". COMO VOCE VAI VOTAR DEPOIS DE LER ESTA MATÉRIA??REPASSEM, EU JÁ ADERI À CAMPANHA!

Obrigado !!

sábado, 20 de junho de 2009

Francamente Excelência!!!!


Por Lúcia Hipólito.


Bom, só posso dizer que o texto da Lúcia Hipólito não necessita de um comentário. É a mais pura realidade desse país.Apanhado com a boca na botija recebendo mais de R$ 3.000,00 de auxílio-moradia, sendo proprietário de uma confortável residência em Brasília e dispondo ainda da residência oficial da Presidência do Senado, José Sarney pediu desculpas e alegou que não pediu auxílio-moradia e que "alguém" vem depositando em sua conta o auxílio-moradia desde meados de 2008.
(Na última terça-feira Sarney afirmara categoricamente que não recebia auxílio-moradia. Pelo visto, a memória voltou subitamente. )
O que dizer de um cidadão brasileiro que, checando sua conta bancária, encontra depósitos mensais de mais de R$ 3.000,00 e não tem a curiosidade de conhecer a identidade desse benfeitor anônimo que todo mês pinga um "capilé" em sua conta?
Sarney é um fofo!E dizer que uma pessoa assim foi presidente da República por cinco longos anos!
José Sarney não é um iniciante na política. Bem ao contrário. Deputado federal em 1958 (há 51 anos!), governador em 1965 (com uma ajudinha do recém-criado SNI), senador, presidente da República, três vezes presidente do Senado. Sarney já foi tudo neste país.Criou uma dinastia. Tem a filha e o filho na política.
Será que Sarney não sabe o que é certo e o que é errado? O que pode ser legalmente aceitável mas é eticamente inaceitável? Ou sabe e não se importa?
Um senador da República, presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional, que tem residência em Brasília e tem ainda ao seu dispor a residência oficial do Senado, não lê seu contracheque ou não sabe que auxílio-moradia não se aplica?!
Desde a terceira eleição de Sarney para presidente do Senado, em 2009, os cidadãos brasileiros já tomaram conhecimento de que ele requisitou seguranças do Senado para fazer a segurança de sua residência em São Luís (MA), embora ele seja senador pelo Amapá.
Os cidadãos brasileiros também tomaram conhecimento de que, das 181 diretorias descobertas no Senado, pelo menos 50 foram criadas por José Sarney.
Os cidadãos brasileiros tomaram conhecimento, ainda, de que uma assessora para as campanhas de Sarney e da famiglia Sarney era também, nas horas vagas, diretora do Senado.Flagrado, Sarney afastou a diretora... E a nomeou como assessora especial.
O que será que o senador Sarney pensa de nós, eleitores? Que somos um bando de bobos. Que aceitamos qualquer coisa. Francamente, Excelência. Isto é inadmissível.
O melhor a fazer é renunciar à presidência do Senado. Além de devolver o dinheiro público, naturalmente.

Reflexões sobre pessoas e coisas...


Essas minhas inquietações a respeito do mundo muitas vezes me tiram o sono... ou me fazem refletir demais acerca do que me cerca.... e me tiram o sono....

Vejo na arqueologia, que nossas maiores preocupações, enquanto cientistas sociais, é em 'preservar o patrimônio' material. Enlouquecemos quando vemos uma tigela de barro sendo quebrada, ou quando vemos que estão construindo uma casa sobre um antigo cemitério indígena, ou que as pessoas de um lugar jogam bola sobre um terreno repleto de vasilhas de cerâmicas...

Tratamos de 'conscientizá-los' sobre a importância do patrimônio arqueológico... fazemos palestras... mostramos fotos, incentivamos à que todos guardem seus patrimônios para o futuro, que não os destruam, que não os deixem desaparecer... enfim, cumprimos nosso papel para conservar o passado, o mais intacto possivel para estudos científicos...

Mas, quem são essas pessoas que estão sobre o 'patrimônio'? Do que vivem, o que pensam realmente a respeito dessas 'coisas de índios'? O que aquilo representa para elas e como pensam sua 'preservação'?

Nós não somos os detentores de todo o saber, apenas porque a academia nos deu esse poder? Então... podemos ir lá e explicar para as pessoas o que fazer com as coisas que elas conhecem desde que nasceram.... Achamos que somos esses seres que tudo sabem...mas será que tudo sabemos mesmo?

Há de se questionar... nada sabemos.... nossa ciência é tão falha quanto qualquer saber... apenas nos autorizamos a dizer coisas sobre tudo e pensar que tudo sabemos... porque somos detentores do saber científico..

Mas, nada sabemos...

As pessoas, humildes, conhecedoras de seus espaços e de suas paisagens... das suas coisas... das suas histórias... tudo sabem... pois moram alí.. construiram a história daquele lugar.... as recriam dia a dia... e interagem com as coisas, refazendo a história, com novas casas, novos cemitérios... novos utensilios...e até jogando bola...

Precisamos nos abrir aosnovos olhares sobre as coisas... e nos preocuparmos menos em preservar o passado, mas sim em interagir com o presente e com o futuro... e lá que se encontra o verdadeiro conhecimento...

O passado... morto está....