terça-feira, 26 de abril de 2011

Não existe a História do 'Se'....


Lendo o texto do Veríssimo, sobre as versões de sim mesmo do personagem que ele retrata, fiquei pensando naquela velha história do 'se'... Se Hitler não tivesse sido eleito.... Se o Brasil não tivesse sido encontrado pelas naus portuguesas.... Se....
Se tantas coisas não tivessem acontecido... outras teriam...
E quem disse que seriam melhores ou poires? Apenas seriam diferentes e os rumos da história seriam outros... ou quem sabe... lá pelas tantas... algo aconteceria e os rumos seriam semelhantes ao que foram e são. As vidas das pessoas não são regidas pelo que elas poderiam ter sido, mas pelo que são e foram. Nossas escolhas são arbitrárias e assim fazemos nós mesmos a nossa história. Claro que podemos nos arrepender de coisas, achar que poderiamos ter feito melhor ou diferente... faz parte do aprendizado, para que posssamos crescer e mudar. Mas, jamais vamos mudar o passado.
Então pra que ele serve? Para mudar o futuro.
É no futuro que temos de colocar nossas energias e buscar o melhor pra nós e pro mundo. Se apegar aos 'ses' que não foram em nossa vida só nos faz parar e lamentar...e chorar...e não andarmos pra frente. Então, que se vamos adelante... Olhar o futuro, olhar a mudança como algo a ser conquistado e nunca, jamais lamentar o que não foi. Se não foi é por que não era pra ter sido mesmo. A escolha que fizemos foi esta, e se a fizemos vamos arcar com as consequências da coisa.... Há sempre um motivo lá na frente para que possamos sorrir, mesmo que no passado a gente tenha chorado. Algumas coisas do passado, quando não nos trazem alegrias, devem mesmo ser deixadas lá, no seu baú... para sempre... para lembrarmos de não repetirmos as mesmas escolhas... e partirmos para escolhas melhores.

VERSÕES DE MIM



por: Luiz Fernando Veríssimo

Vivemos cercados pelas nossas alternativas, pelo que podíamos ter sido.

Ah, se apenas tivéssemos acertado aquele número, (unzinho e eu ganhava a sena acumulada), topado aquele emprego, completado aquele curso, chegado antes, chegado depois, dito sim, dito não, ido para Londrina, casado com a Doralice, feito aquele teste…

Agora mesmo neste bar imaginário em que estou bebendo para esquecer o que não fiz – aliás, o nome do bar é Imaginário – sentou um cara do meu lado direito e se apresentou:

- Eu sou você, se tivesse feito aquele teste no Botafogo
E ele tem mesmo a minha idade e a minha cara. E o mesmo desconsolo.
-Por que? Sua vida não foi melhor do que a minha?
-Durante um certo tempo, foi. Cheguei a titular. Cheguei a seleção. Fiz um grande contrato. Levava uma grande vida. Até que um dia.
-Eu sei, eu sei… disse alguém sentado ao lado dele.
Olhamos para o intrometido. Tinha a nossa idade e a nossa cara e não parecia mais feliz do que nós. Ele continuou:

- Você hesitou entre sair e não sair do gol. Não saiu, levou o único gol do jogo, caiu em desgraça, largou o futebol e foi ser um medíocre propagandista.
- Como é que você sabe?
- Eu sou você, se tivesse saído do gol. Não só peguei a bola como me mandei para o ataque com tanta perfeição que fizemos o gol da vitória. Fui considerado o herói do jogo. No jogo seguinte, hesitei entre me atirar nos pés de um atacante e não me atirar. Como era um herói, me atirei. Levei um chute na cabeça. Não pude ser mais nada. Nem propagandista. Ganho uma miséria do INSS e só faço isto: bebo e me queixo da vida. Se não tivesse ido nos pés do atacante.

Ele chutaria para fora. Quem falou foi o outro sósia nosso, ao lado dele, que em seguida se apresentou.

- Eu sou você se não tivesse ido naquela bola. Não faria diferença. Não seria gol. Minha carreira continuou. Fiquei cada vez mais famoso, e agora com fama de sortudo também. Fui vendido para o futebol europeu, por uma fábula. O primeiro goleiro brasileiro a ir jogar na Europa. Embarquei com festa no Rio…

- E o que aconteceu? perguntamos os três em uníssono.
- Lembra aquele avião da VARIG que caiu na chegada em Paris?
- Você…
- Morri com 28 anos.
- Bem que tínhamos notado sua palidez.
- Pensando bem, foi melhor não fazer aquele teste no Botafogo…
- E ter levado o chute na cabeça…
- Foi melhor, continuou, ter ido fazer o concurso para o serviço público naquele dia. Ah, se eu tivesse passado.
- Você deve estar brincando.
Disse alguém sentado a minha esquerda. Tinha a minha cara, mas parecia mais velho e desanimado.
- Quem é você?
- Eu sou você, se tivesse entrado para o serviço público.

Vi que todas as banquetas do bar à esquerda dele estavam ocupadas por versões de mim no serviço público, uma mais desiludida do que a outra. As conseqüências de anos de decisões erradas, alianças fracassadas, pequenas traições, promoções negadas e frustração.

Olhei em volta. Eu lotava o bar.

Todas as mesas estavam ocupadas por minhas alternativas e nenhuma parecia estar contente. Comentei com o barman que, no fim, quem estava com o melhor aspecto, ali,era eu mesmo. O barman fez que sim com a cabeça, tristemente.
Só então notei que ele também tinha a minha cara, só com mais rugas.

- Quem é você? perguntei.
- Eu sou você, se tivesse casado com a Doralice.
- E..?

Ele não respondeu. Só fez um sinal, com o dedão virado para baixo.
Creio que a vida não é feita das decisões que você não toma, ou as atitudes que você NÃO teve, mas sim, aquilo que foi feito!

Se bom ou não, penso, é melhor viver do futuro que do passado!

Hoje eu sei que eu sou a melhor versao de mim mesmo!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

VIVER DESPENTEADA

Adoro ser uma mulher bem despenteada.....


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Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie,
por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade...
O mundo é louco, definitivamente louco...
O que é gostoso, engorda. O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o teu rosto enruga.
E o que é realmente bom dessa vida, despenteia...
- Fazer amor, despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
- Tirar a roupa, despenteia.
- Beijar à pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa idéia colocar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível...

Então, como sempre, cada vez que nos vejamos
eu vou estar com o cabelo bagunçado...
mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.
É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir.

Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável,
toda arrumada por dentro e por fora.
O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:
Arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça,
coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria...
e talvez deveria seguir as instruções, mas
quando vão me dar a ordem de ser feliz?
Por acaso não se dão conta que para ficar bonita
eu tenha que me sentir bonita...
A pessoa mais bonita que posso ser!
O único, o que realmente importa é que ao me olhar no espelho, veja a mulher que devo ser.
Por isso, minha recomendação a todas as mulheres:

Entregue-se, coma coisas gostosas, beije, abrace, dance, apaixone-se, relaxe, viaje, pule, durma tarde, acorde cedo, corra, voe, cante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortável!
Admire a paisagem, aproveite,
e acima de tudo,
deixa a vida te despentear!

O pior que pode acontecer é que, rindo frente ao espelho, você precise se pentear de novo...




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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Mulheres Imperfeitas....

Buenas.... uma pausa nas histórias de minhas tatoos....
Esse texto da Martha Medeiros nunca foi tão perfeito pra mim como nesse momento... Principalmente no quesito 'Aprenda a dizer NÃO!!!' e NÃO SE SINTA CULPADA POR DIZER NÃO!!!!.
Dizer não é preciso... para se ter uma vida melhor... acreditem!!!!

'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.

Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!

E, entre uma coisa e outra, leio livros.

Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.

Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coi sinhas que operam milagres.

Primeiro: a dizer NÃO.

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.

Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.
Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros..

Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

Você não é Nossa Senhora.

Você é, humildemente, uma mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.

Tempo para fazer nada.

Tempo para fazer tudo.

Tempo para dançar sozinha na sala.

Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

Tempo para sumir dois dias com seu amor.

Três dias..

Cinco dias!

Tempo para uma massagem..

Tempo para ver a novela.

Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.

Tempo para fazer um trabalho voluntário.

Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.

Tempo para conhecer outras pessoas.

Voltar a estudar.

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.

Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina?

Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.

Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!

Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.

Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Um adorno Bororo


Buenas, continuando a falar sobre a cultura material impressa no corpo, cá estou eu novamente a mostrar minhas tattos. Esta foi a segunda imagem que resolvi gravar em meu corpo. É uma peninha, colorida que tem hoje lugar atrás da minha orelha direita. Essa peninha é a imagem de um adorno que os Bororo do Brasil Central usam no nariz, como se fosse um piercing.
O adorno para os Bororo tem significados próprios, que em verdade não saberei descrever aqui. Eles usam duas penas, uma em cada lado da narina, e geralmente estão com esses adornos em festas fúnebres, mas já os vi em outras ocasiões envergando tal objeto em seus corpos. Eu vi o desenho dessa pena num livro do COMIN, achei muito bonito e me agradou colocá-lo num lugar que acho interessante em mim - atrás da orelha...
Novamente o medo de enjoar de ver a imagem toda hora me fez escolher alí o lugar mais adequado à peninha Bororo.
Fui até o tatuador, com o desenho em mãos e assim, o imprimi em mim... Lá no estúdio do Pimenta, ele olhou, incorporou o desenho, redesenhou ele num papel e depois colocou sobre minha pele para daí começarmos a sessão da tatuagem propriamente dita...
Lembro que tive de ficar deitada numa cadeira de dentista, com a cabeça apoiada para ele ir desenhando e colorindo a peninha.
Do outro lado da rua, onde há uma linda igreja em estilo neo-gótico, também tinha um prédio de apartamentos, logo atrás da Igreja, onde dois caras olhavam a minha sessão de tatuagem. Acho que eles estavam interessados em ver minhas caras de dor, enquanto a maquininha do pimenta zunia atrás da minha orelha.
Bem, não posso dizer que esse lugar - atrás da orelha, onde tem muito osso - não doeu, porque foi bem incômodo tatuar algo ali, mas o resultado foi magnífico... a peninha se instalou maravilhosamente na minha cabeça, hehhehehe
.
Pra mim, essa tatto tem um significado mais ameno que a minha muiraquitã, que como falei antes tem o significado de proteção contra maus espíritos, para os Tapajós, e para mim, mantinha esse significado associado ao de representar um pouco os indígenas brasileiros, que pra mim são muito importantes, já que trabalho com essa temática.
A peninha vem nesse sentido também, porque faz parte de uma decoração corporal de um grupo ameríndio. Porém, ela não é tão representativa quanto o muiraquitã, mas a acho linda... e também me agrada como adorno corporal, embora numa dimensão diferente da que é usada pelos Bororo.
Eu transformei um objeto em desenho - em outro objeto...
Aqui não há uma pena real, com suas cores reais, mas sim a imagem dessa pena representada pelo desenho, e resignificada num adorno corporal fixado em meu corpo.
Os Bororo podem retirar o adorno deles, eu não... ela agora é parte de mim, está na minha pele.
Enfim... essas representações que manifestamos em nossos corpos, sejam elas nas dimensões e utilizando diferentes suportes, são modificações que fazemos para nos apresentar ao mundo...
Nossas identidades aí registradas e emitidas para nos siginificar dentro desse mundo...
Eu optei por ter imagens de bichos em meu corpo, assim, todas as minhas tattos são representações de animais, sejam eles representações reais ou figurativas, mas sempre animais....
Isso é uma forma de me identificar... com esses 'totens', com minhas próprias alegorias, e com a natureza de cada um desses seres que me representam e me identificam no mundo.
Bem... não vou me estender demais hoje, pois saio daqui agora para terminar a quinta tatto...
Hoje vou novamente me submeter ao zunido da maquininha do pimenta, que vai pintar a minha fênix....
Até a próxima, hehehehe

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Minha primeira Tatto...


Esta foi minha primeira tatuagem... tão linda... Esperei muito pra encontrar um bom tatuador, escolhi muito bem a imagem... e decidi que esta muiraquitã Tapajó era o que eu queria no meu corpo. Decidi que o lugar ideal seria nas costas... perto do pescoço, onde eu não ficasse vendo ela o tempo todo... Eu tinha medo que pudesse enjoar de ver a imagem todos os dias... depois descobri que amo tanto minhas tattos, que adoro ficar olhando pra elas, huahauauahuahua....
O muiraquitã, é um simbolo de proteção para os indígenas da amazônia, achei interessante essa definição e resolvi que ela me faria feliz, estando gravada em mim.
Isso nos demonstra que os significados das coisas estão intrinsecamente ligados aos nossos atos, desejos e espectativas humanas. As coisas, sejam elas imagens ou outros objetos, se comunicam conosco e nos comunicam aos outros. A imagem da muiraquitã logo remete ao seu significado original, como também aos significados que eu lhe dou, porque quando escolhi tatuar a imagem no meu corpo, escolhi esta por ser indígena, e isto remete ao meu trabalho, ao tipo de 'objeto' no qual me debruço para escrever e produzir conhecimento acadêmico. Mas, muito mais que isso, a relação de ter uma figura indígena em meu corpo, está muito mais relacionada ao fato de eu ser engajada na causa dos indígenas brasileiros, e isto me representar como uma militante, além de simplesmente um pesquisadora. Escolher uma figura amazônica ao invés de uma figura dos Guarani - que é o povo com o qual trabalho - teve muito mais há ver com o fato de relacionar o siginificado da muiraquitã, da proteção que ela remete para o povo Tapajó. Ainda não sei se vou tatuar uma figura Guarani em mim... é algo em que penso, mas ainda não encontrei nenhuma imagem que me cative e que eu queira colocar em meu corpo. Aliás... o nosso corpo pode ser visto como cultura material, dessa maneira, as modificações que faço nele, são propositais e intencionais. Dou ao meu corpo os significados que quero representar, assim, o faço ser uma forma de identidade para ser reconhecida pelos outros... As tatuagens formam parte dessa identidade e nelas me represento e me comunico com outras pessoas. Posso causar impacto, choque, admiração, repulsa e tantos outros sentimentos, pelo simples fato de que as imagens que eu tenho representadas estão em constante comunicação com o mundo a minha volta... e isso é bastantre instigante...
Buenas... deixo aqui a minha amada muiraquitã pra deleite dos amigos que frequentam este blog...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

As tattos e seus significados....



Vou fazer aqui o início de uma série de postagens falando de Tatuagens...
Sim... tatuagens... minhas amadas tattos..
Estou na quinta figura em meu corpo, e feliz com elas... muito feliz...
é maravilhoso sentir os significados que elas tem na minha vida.. cada uma representa algo importante e mudanças.
São um tipo de cultura, a cultura material da tatuagem... quando escolho a figura a ser desenhada... quando escolho as cores... quando escolho o estúdio onde serão feitas... tudo isso faz parte de uma cultura.
Quando fazia minha quinta tatto, pensava nisso encostada na cadeira, já nem sentindo mais meus pés de tanto tempo que estava naquela posição...
Isso é cultura material...eu escolhi... eu procurei alguém capacitado pra fazer, em que depositei minha confiança... e estou mudando meu corpo ao colocar nele esta figura....
Os significados de cada um daqueles desenhos em meu corpo... os momentos em que foram feitos... os porques de estarem alí e naqueles lugares específicos... tudo isso passando por minha cabeça enquanto a maquininha do Pimenta me desenhava as costas....
É interessante, pois muita gente pergunta sobre a dor.... é claro que dói... as vezes dói bastante... tem partes sensíveis que causam dor... Mas, o que não dói na vida da gente? As vezes existem coisas menos prazerosas do que o belo desenho da tatto, que dói muito... que machuca bastante... e a gente nem reclama não é mesmo?
As dores as vezes podem ser amenizadas por outras dores.. dores que dão prazer...
Há dores que vem da alma, as pessoas nem vêem e como não causa ferida externa, não perguntam se dóis....
As dores da tatto são totalmente aceitáveis... e dão prazer.. um prazer de mudança... um prazer de algo belo... de arte...
Há outras dores maiores... com certeza...
Mas, vamos voltar a cultura da tatuagem... essa maravilhosa cultura de quem as tem e de quem as faz...
Tô namorando minha novas tattos... tão lindas.... e a última ainda nem tá acabada... falta pintar...
Lá vou eu na próxima semana avaliar e ver se já dá pra terminar a pintura da minha Fênix renascedora....

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

QUANDO CAEM AS MÁSCARAS...


Há pessoas que passam a vida representando personagens. Em realidade, todos nós nos representamos e apresentamo-nos aos outros como algo, há, no entanto, aqueles que representam a si mesmo como outros, aqueles que usam as máscaras mais diversas para se esconderem e esconder dos outros sua própria face. Esses são os perigosos, e as vezes são perigosos pra si mesmos, pois acabam por nunca descobrirem quem realmente são, passando a vida a representar personagens e personalidades absorvidas de outros.

Há muitas pessoas assim pelo mundo, há muita gente perdida dentro de si mesma que não encontra sua face ou tem medo dela no espelho.

Vou contar uma história, um conto, uma fábula.... Nela há um Rei, nobre, belo e bondoso. Esse Rei circula pelas ruas dando atenção a todos que encontra. Ele é muito amado pelos súditos, muito querido por todos devido a sua beleza e bondade.

No entanto, por detrás da capa e da bela fisionomia do Rei, se esconde um Bufão. Este não é nobre.... Infelizmente nasceu nas ruas, foi maltratado pela vida e acabou ocupando o cargo de Bufão na corte do Rei... e aos poucos, esse Bufão, cheio de rancores pela vida dura e pelos seus traumas, ocupou o lugar do Rei, travestindo-se como Rei... O Rei verdadeiro desapareceu a tempos... ninguém sabe exatamente como nem quando... ele sumiu do castelo e nunca mais foi encontrado. Porém o Bufão, rancoroso e amargo, tomou para si as roupas do Rei, vestindo-se e comportando-se em público como o Rei. Assim, ele engana a todos, se faz passar por nobre e belo, enquanto na realidade, no escuro do quarto de dormir, ele é apenas um Bufão, torto, amargurado e mau.

Esse Rei / Bufão apresenta-se como nobre a todos, inclusive dentro da própria corte, e dessa forma ninguém sente a falta do verdadeiro Rei, pois acreditam que ele ainda está vivo, ainda está circulando entre seus súditos... Porém, o Bufão / Rei utiliza os gestos nobres para se fazer amar, utiliza das máscaras do Rei verdadeiro para se fazer belo, utiliza da capa e do cetro para impor respeito e sabedoria aos outros...

Mas, como esse Rei / Bufão, não é nobre de verdade, ele as vezes tropeça na capa e faz injustiças. Deixa a máscara cair um pouco e mostra uma carranca feia e amargurada que assusta as pessoas...

No entanto, ele cuida muito para que esses pequenos lapsos não façam com que se descubra sua verdadeira identidade, ele cuida para que ao seu lado estejam os mais nobres cavalheiros e damas da corte para que os seus súditos o vejam como bom e nobre.. Apenas, nas entranhas do seu quarto, no seu submundo, ele tira a fantasia e se olha no espelho.... E ali, sozinho, ele chora. Ele não quer ser Bufão, ele quer ser Rei...mas no seu íntimo, ele não consegue ter a nobreza do Rei verdadeiro, ele é o Bufão, ele é amargo e feio... Então, ele se põe a proteger aqueles que são como ele, amargos e feios, sujos e maus, aqueles que rastejam nas ruas e amaldiçoam àqueles que são nobres e bons... Mas, quando o Rei / Bufão protege essas criaturas, ele o faz como se esse ato o fizesse bondoso e caridoso, não por que ele se identifica com esses seres amaldiçoados... Isso é a forma como ele transfere aos seus súditos e à corte esse seu ato de cordialidade com a mais baixa ralé...

Porém, no fundo de seu coração ele sabe que esse ato não é caridade, nem bondade, ele apenas se reconhece nessas criaturas, pois é igual a eles... é feito da mesma matéria, esses seres são seus pares, são seus iguais, e entre eles, o Bufão / Rei, pode ser apenas Bufão... pode deixar de lado a nobreza fingida, a capa grande demais para o seu corpo disforme, a coroa que pesa em sua cabeça grande demais, o cetro que impõe justiça... Ali, ele se desveste, ali ele se olha como um paria... ali ele não precisa fingir, nem fugir de sua condição amaldiçoada.

Mas, ele não quer admitir que é assim... ele apenas foge de vez em quando pra seu submundo pra se sentir menos pesado...

Ele quer ser Rei, ele quer seu público, ele quer ser nobre e amado... e ele finge... e ele foge... e ele não se olha no espelho para não ter de enfrentar seu próprio rosto a luz do dia claro.

E assim, ele segue enganando, a si mesmo e aos outros que convivem com ele, que pensam e acreditam que ele é Rei e nobre, e que depositam nele sua confiança, até ele a trair, e ainda assim fazer acreditar que a sua traição foi por nobre causa, e que a razão e a justiça são sua aliadas...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sábias Palavras...


Não sei se o texto é realmente dele, pois muitas coisas que circulam na internet acabam sendo atribuidas a ele... Mas sendo ou não, o texto é muito educativo. Se muitos homens finalmente aprendessem e colocassem em prática esses ensinamentos, nós mulheres seriamos mais felizes e bem tratadas. Pois, já que na cabeça masculina, a sensibilidade não é uma qualidade desenvolvida, quem sabe se eles começarem a pensar na gente como 'algo que deve ser preservado na natureza' - já que agora a moda de ser politicamente ecológico prevalece, e muitos homens são criaturas que gostam de andar na moda - principalmente se essa moda tiver um 'quê' de militância, pois além da sensibilidade (ou da falta dela) outro quesito que não consta nas qualidades maculinas é a originalidade e personalidade própria, pois eles sempre andam como os amigos andam, fazem o que os amigos fazem, e 'lutam' pelo que os amigos 'lutam'.... Então, já que é assim... aprendam com o Veríssimo... e tentem ser mais cuidadosos conosco...

Um homem Inteligente Falando das Mulheres
O desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está a fêmea da espécie humana.
Tenho apenas um exemplar em casa, que mantenho com muito zelo e dedicação, mas na verdade acredito que é ela quem me mantém. Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha 'Salvem as Mulheres!'
Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da feminilidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:

Habitat
Mulher não pode ser mantida em cativeiro. Se for engaiolada, fugirá ou morrerá por dentro. Não há corrente que as prenda e as que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse de uma mulher, o que vai prendê-la a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente.

Alimentação correta
Ninguém vive de vento. Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro. Beijos matinais e um 'eu te amo' no café da manhã as mantém viçosas e perfumadas durante todo o dia. Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não a deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial.
Flores
Também fazem parte de seu cardápio, mulher que não recebe flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade.

Respeite a natureza
Você não suporta TPM? Case-se com um homem. Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia, discutir a relação. Se quiser viver com uma mulher, prepare-se para isso.

Não tolha a sua vaidade
É da mulher hidratar as mechas, pintar as unhas, passar batom, gastar o dia inteiro no salão de beleza, colecionar brincos, comprar muitos sapatos, ficar horas escolhendo roupas no shopping. Entenda tudo isso e apoie.


Cérebro feminino não é um mito
Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino. Por isso, procuram aquelas

que fingem não possuí-lo (e algumas realmente o aposentaram!). Então, aguente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas

um mero objeto de decoração. Se você se cansou de colecionar bibelôs, tente se relacionar com uma mulher. Algumas vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja dessas, aprenda com elas e cresça. E não se preocupe, ao contrário

do que ocorre com os homens, a inteligência não funciona como repelente para as mulheres.

Não faça sombra sobre ela
Se você quiser ser um grande homem tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.

Aceite: mulheres também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar. O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios. Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo...

É, meu amigo, se você acha que mulher é caro demais, vire gay.
Só tem mulher quem pode!


Luiz Fernando Veríssimo

domingo, 24 de outubro de 2010

Lágrimas e dor...


Ninguém deve amar com a alma. Pois o amor pode ser um sentimento venenoso que toma conta da alma e se fusiona a ela. Quando o amor e a alma se combinam e este se corresponde com outro amor de alma o paraíso pode ser sentido num abraço, num beijo, num carinho... mas quando apenas uma alma é tomada pelo amor, ela corre riscos.

Eu cometi esse erro. Eu deixei o amor infectar minha alma. Eu permiti que ele a tomasse e o abriguei nela, e hoje ele a mata, como um vírus que ficara dormente e agora se manifesta.

Pensei que pudesse curar, lavar minha alma, me livrar do amor e seguir em frente, curada.

Me enganei, ninguém que ame com a alma sobrevive. Estou dilacerada.

Meu corpo dói, meu peito tem agora um imenso buraco e a dor é quase insuportável. Tento suportá-la, tento segurar meu peito para que o buraco pare de se abrir.

Minha alma sangra, meus pés tropeçam no sangue que escorre dela. Minha garganta se fecha com o sangue da alma e minha respiração falha.

Tenho febre, estou sentindo meu corpo tremer de frio e o suor escorre no pescoço e molha o cabelo...

O amor é um vírus, uma doença, estou doente e me sinto fraca, minha alma morre aos poucos, sangrando muito.

Ninguém deve amar com a alma, pois para matar o amor tem de matar a alma também. Tentei matar o amor sem atingir a alma, mas não consegui, foi pior, agora minha alma sangra cheia de feridas e cortes profundos.

Quando se ama com a alma não há saída, não há cura....

Suporto a dor enquanto vejo minha alma morrer...

Escrevi isto as 02:28h, quando a febre não me deixava dormir.

São 03:26h. Não consigo dormir. A dor não me deixa dormir. Tenho frio, minha cabeça dói.

Penso em tudo que vivi... penso... penso... não consigo parar.

Porque a vida é assim? Porque tudo desmorona exatamente quando tudo deveria dar certo?

Agora era para tudo dar certo... agora...

Buscamos tanto, lutamos tanto e quando conseguimos, tudo se acaba...

Tô chorando... chorando o fim de algo lindo... Era pra ter sido lindo...

O vazio é imenso... a solidão é tão triste... estou tão triste... Sinto vontade de sair do mundo, sumir, abandonar tudo, desaparecer...

Se pudesse apagava minha mente, apagava minha vida...

Não lavei a alma, eu a matei, eu a estou matando...

Por favor, alguém me salve... a dor é insuportável...

Não se pode exigir o amor de alguém, quando se ama sozinho tudo é dor... tudo é vazio...

Não posso exigir ser amada por quem já nada sente por mim... isso não é uma cobrança, é apenas desabafo... preciso falar, senão vou explodir... vou....

A dor é grande demais, por que amo demais....amei demais... amei com minha alma, com meu corpo, com meu ser....

Mas, agora tudo se foi... Eu não tenho mais a quem dar o meu amor... ele não é mais aceito, não é mais correspondido.

Onde errei? Onde erramos?

Quisemos tudo e conseguimos nada.

Carreira, dinheiro, estabilidade??? Pra que?

Perdi o mais importante, perdi a razão de tudo...

Eu não devia estar escrevendo isto aqui. Não devia me expor... mas sou assim... passional.

Preciso desabafar, preciso gritar pro mundo a minha dor, pra ver se consigo suportá-la melhor.

Busco força na minha pobre alma dilacerada e não consigo encontrar... Ela está morrendo, junto com o amor que tento matar.

Porque tenho de ser tão intensa? Porque tenho sempre que me entregar inteira?

Agora estou em pedaços, esfacelada...

Não há mais nada por que lutar, não há mais nada a fazer... não há mais o amor correspondido. Tenho de suportar a dor e sobreviver.

É duro perceber o mundo da gente se transformar em pó, é duro descobrir que não fazemos mais parte do mundo de quem se ama. Nossos mundos se separaram, se afastaram em algum momento que não percebemos e agora tudo se foi, não há mais um universo conjunto, só o vácuo...

Eu grito sozinha nesse vácuo, pedindo socorro... mas não há quem me escute, não há mais nada além da dor.

São 07:13h, saio da cama onde passei a noite mais triste de minha vida. Insone e chorando. As lágrimas são meu primeiro café da manhã. Ontem não tive fome e hoje continuo sem ela. Devo forçar minha garganta a engolir algo, pra não adoecer mais do que já estou... estou sozinha...sozinha e triste com minha dor.

O mais aterrador desta dor é pensar que poderia ter sido lindo, pensar em tudo que se perdeu, pensar que pudemos ser felizes e estamos perdendo a chance.